| Carolina Lanzoni Gomes
PLANO DE AULA - ENSINO DE HISTÓRIA
Minha experiência como professora relato com muito orgulho, já que
sou jovem e trabalho com jovens também! Tenho 26 anos e desde
os 19 estou nas salas de aulas. Trabalho na rede pública estadual
por opção, desde que pude experimentar ser professora em
duas escolas particulares de pequeno porte, e não tive sucesso
na carreira como historiadora (pesquisa). Neste ano de 2006, trabalho
na E.E. Batista Renzi, na cidade de Suzano, Diretoria de Ensino da Região
de Suzano, região metropolitana de São Paulo, com vinte
e cinco aulas semanais de História e também na E.E. Antonio
Rodrigues de Almeida, com uma aula por semana de Ensino Religioso. Como
contratada anualmente e professora de educação básica
II, compartilho diversas concepções históricas dentro
do curso de Extensão Universitária da Cogeae – Puc – SP
, com o tema: “Ensino de História: Saberes, Leituras e Linguagens”.
Escrevo sobre um plano de aulas para o trabalho com alunos de sétimas
séries do ensino fundamental II durante o quarto bimestre, com
tema: Sistema Capitalista: suas diferenças musicadas e aproveito
para apresentá-lo como conclusão do curso que já mencionei
estar participando.
SOBRE MINHA EXPERIÊNCIA DE TRABALHO
Me chamo Carolina Lanzoni Gomes Fernandes,
tenho 26 anos e atualmente trabalho na Escola Estadual Batista Renzi,
Diretoria de Ensino da Região
de Suzano, município do Alto Tietê, Região Metropolitana
de São Paulo.
No ano de 2002 conclui meus estudos na Universidade Brás Cubas,
Bacharelado e Licenciatura em História. Como conclusão
do curso, desenvolvi um projeto de pesquisa sobre história regional,
e tenho experiência como professora desde 1999, com aulas de geografia,
ensino religioso e história, e também os dois primeiros
anos como professora eventual.
Nesse ano, a escola que trabalho localiza-se no centro da cidade, tem
vinte salas de aulas e no próximo ano irá comemorar trinta
anos. Em geral os alunos que recebemos são bastante diversificados,
de níveis sócio-econômico e cultural diversificados
(médio a baixo), e não raro moram em bairros distantes
da escola.
Ao longo dos últimos anos, a escola tem uma aceitação
e procura evidentes da comunidade escolar. Tem apresentado consideráveis
avanços na escolarização formal, constatados no
desempenho das avaliações desenvolvidas pela Secretaria
da Educação do Estado de São Paulo.
O estudo para o quarto bimestre representa a experiência aqui relatada,
com uma turma de sétima série “D”, com quarenta
alunos matriculados, período da tarde, ensino fundamental II.
Com o eixo-temático O Sistema Capitalista: suas diferenças
musicadas foi proposto aos alunos, onde acredita-se ser importante para
a formação dos mesmos, momentos de reflexão sobre
a realidade social em que vivemos, e sobre suas próprias experiências
relacionadas com as de outras pessoas, estabelecendo um vínculo
pessoal com a sociedade em geral.
A música popular brasileira e as relações de poder
no capitalismo, apresenta-se como uma tentativa de estudo com a história
temática, já que a leitura de letras de músicas
estarão sendo comparadas com os conceitos sobre o sistema capitalista.
Espera-se que, conhecendo alguns conceitos teóricos sobre o capitalismo
(com leitura de textos informativos, escrita de conceitos pesquisados
pelos alunos) e comparando-os com letras de músicas, o ensino-aprendizagem
aconteça de forma mais inteligível, proporcionando um estudo
que vincule a teoria (conceitos) com a prática (as músicas).
Entende-se que as relações de poder existentes no capitalismo,
já são exploradas/documentadas dentro do universo musical,
por diversas bandas e cantores, atuais ou do passado, onde os alunos
se identificam com determinadas reflexões já propostas
pela música e talvez passadas desapercebidas enquanto uma diversão
escuta-las; diferente de se propor a uma leitura mais específica,
detalhada e comparativa de determinadas letras de músicas.
A idéia em não se apresentar diversos autores/cantores é exatamente
manter o vínculo/identidade do aluno com as aulas, excitando sua
capacidade de pesquisa,de leitura, participação e colaboração
com seu grupo de estudo.
A discussão sobre a propriedade não só da terra,
mas também de materiais diversos como exemplo a informática,
automóveis, viagens de férias foram utilizadas como exemplos
aos alunos para ilustrar a diferença existente entre as pessoas
dentro do sistema capitalista.
A leitura de três histórias em quadrinhos inseridas no livro
didático adotado, páginas 79, 81 e 84 foram trabalhadas
com particularidade para explorar a escrita individual dos alunos, em
especial de Calvin e Haroldo.
Relacionar distribuição e concentração de
terra no Brasil com a música, demonstra aos alunos que alguns
cantores(as) e bandas tidas como “ cafonas” podem estar contribuindo
para sua formação política enquanto adolescente,
preparando-os para a vida adulta e para a cidadania tão bem discutida
atualmente.
Conclui-se que as habilidades cognitivas do saber histórico escolar
estarão em desenvolvimento: observação, compreensão,
interpretação, comparação, classificação,
levantamento de hipóteses e sintetização.
Utilizamos desde o início do ano, alguns materiais em sala de
aula: a sempre companheira lousa e giz, com textos informativos, livros
didáticos com leitura de textos e imagens, jornal com informações
atuais, revistas com textos selecionados, filme com seleção
de imagens sobre temas já estudados e pesquisas teóricas
sistematizadas pelos alunos.
Para esse bimestre em especifico, utilizaremos o livro didático:
História Temática – Editora Scipione – Capítulo
04 ( a partir da página 76) – 7ª série; letra
da música de Renato Russo , com o grupo Legião Urbana – “Fábrica”,
a letra de músicas selecionada pelos alunos e também o
filme “Ilha das Flores”.
As principais dificuldades encontradas durante o trabalho em sala de
aula, são:
conseguir efetivamente integrar todos os alunos na experiência
do estudo;
o exercício da leitura dos textos propostos coletiva ou individualmente,
na sala de aula ou extra-classe, percebe-se que poucos são os alunos
que fazem;
a preocupação com o entendimento dos assuntos não está presente
entre todos os alunos, onde as atividades são propostas e poucos alunos
são os que executam e menos ainda os que as realizam por inteiro.
tem-se dificuldades em trabalhos em grupo;
dificuldades em aulas que exigem concentração;
dificuldades em cumprir datas pré-estabelecidas;
é distinta a diferença entre a qualidade do ensino – aprendizagem
no período da tarde em nossa escola, tanto que, na reunião de
pais, vários deles verbalizaram a intenção de matricular
seus filhos no período da manhã, por ser considerado “melhor”.
conseguir um rádio funcionando para utilizar durante as aulas;
Compreende-se que o diálogo constante durante as aulas é uma
característica positiva de nossa experiência, onde a opinião
dos alunos que costumam participar das aulas é sempre garantida como
participação na confecção e execução
das aulas.
A utilização do livro didático na sala de aula é uma
característica também positiva dentro da experiência cotidiana,
porém, não foi possível distribuir um livro para cada
aluno, na escola encontrei apenas um conjunto de onze livros. Portanto, o desenvolvimento
das atividades foram em grupo, para retirarmos as condições negativas
de toda essa experiência; o livro específico para o professor
não tive acesso, então, a correção dos exercícios
e as atividades relativas aos bimestres anteriores, foram administradas pessoalmente.
Outra característica positiva deve ser pontuada com a participação
das pesquisas dos alunos e do reconhecimento dos mesmos com a música;
muitos deles na aula em que a pesquisa foi solicitada, já indicavam
quais bandas ou cantores iriam procurar, e também alguns alunos reconheciam
a letra da música de Renato Russo que foi apresentada (Fábrica)
garantindo a conexão entre o estudo prático e teórico,
conforme foi planejado.
Entende-se que durante as aulas, o calendário da unidade escolar interfere
bastante no desenvolvimento das atividades, principalmente no quarto bimestre,
então, a flexibilidade para trabalhar-se com um planejamento como esse é fundamental.
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